Maria Martins

As pessoas
Maria Martins

As pessoas te rotulam.
As pessoas querem te enquadrar nos conceitos delas.
As pessoas querem que você caiba na definição que elas têm sobre você.
As pessoas querem que você seja o que elas querem que você seja.
As pessoas só veem aquilo que estão dispostas a ver.
As pessoas só entendem aquilo que estão dispostas a entender.
As pessoas só vão fazer o que elas realmente estão dispostas a fazer.
As pessoas só falam aquilo que já pensaram.
As pessoas só expressam verbalmente o que está em suas mentes.
As pessoas fazem as coisas por muitos motivos, mas raramente, fazem algo de que discordem por completo.
As pessoas existem nas mais diversas formas, cores e tamanhos.
As pessoas não vêm baseadas em um único molde.
As pessoas são indivíduos. São individuais.
“As pessoas” compreende todos nós.
As pessoas sou eu e é você.
O importante é o que você acredita, e não o que as pessoas querem que você acredite.
É preciso acreditar mais em si, e menos nas pessoas.
Pessoas são só pessoas.
Pessoas não são todo o universo.

O que eu não disse
Maria Martins

Haveria um jeito de opinar sem interferir?
Haveria um modo seguro de não magoar com a nossa sincera opinião?
Qual seria a tênue linha que nos separa de apenas responder ao que nos foi perguntado, de formar ou mudar uma linha de pensamento?
Essas, e muitas questões conexas, pairavam como uma nuvem negra sobre os meus pensamentos. Até que ponto intrometer nos é permitido.
A amizade seria um laço tão forte a ponto de suportar as mais duras verdades?
Seria a vaidade um veneno tão poderoso, que não nos faria perceber uma verdade sincera, expressa numa opinião amiga?
Seriam os amigos uma fonte sincera de verdades? Ou seriam eles interessados em contaminar, de algum modo, o seu pensar e o seu agir?
Perguntas, de respostas fartas e variadas.
Respostas subjetivas para perguntas subjetivas.
O que se refere ao sujeito lhe seria único e diverso. E, na diversidade, se exprime a veracidade dos fatos. Decidi, pois, me recolher aos questionamentos internos, apenas meus.
As discussões sem importância não me atraem mais. O falar por falar não me atrai mais. O disse-me-disse nunca me atraiu.
Talvez não valha a pena colocar tudo a perder, os anos investidos em amizades sólidas e ao mesmo tempo frágeis. Talvez o que a gente realmente acha deva ficar no nosso inconsciente, mesmo que nos cutucando a cada dia, como quem diz “vai, fala, diga o que acha sobre isso”. Talvez seja melhor essa voz gritar até que se cale, pois quanto vale o silêncio? Vale mais em ouro e prata do que qualquer palavra falada. Vale mais em peso do que a consciência pesada.
Vale mais do que a dita palavra, que não mais retornará ao âmago do seu porta-voz, uma vez liberta, ela não retorna à casa.
Uma vez falada destrói castelos, ilusões, castelos de ilusões. Verdades mal construídas em cima de expectativas vãs, de anseios, de medos, receios, monstros que não valem à pena alimentar.
Deixe a palavra seguir seu curso, se for para ser, poesia ela será.
E que nossas palavras sejam com poesias, e não adagas. Que curem, e que não venham a ferir o que não pode se curar.

Veja minhas frases http://pensador.uol.com.br/colecao/mariamartinsoficial/

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